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Degraus de Saber

Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil - Baião

Degraus de Saber

Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil - Baião

1 de Dezembro... de 1640

BibliotecaH, 01.12.09

Corria o ano de 1640. Em Portugal, o descontentamento crescia em relação ao governo filipino. Várias revoltas vão ocorrendo. No dia 1 de Dezembro, em Lisboa, a população detém a vice-rainha e dá o trono português ao duque de Bragança, futuro rei D. João IV.  As tentativas de recuperação por parte dos espanhóis de nada serviram. Iniciava-se a quarta e última dinastia de reis portugueses: a dinastia de Bragança.

 

Como é que se deu a união entre os dois países da Península Ibérica? Tudo começara 60 anos antes... Aliás, o problema surgira quando, em 1578, o jovem rei D. Sebastião, de temperamento irrequieto e impulsivo, apaixonado pela guerra e com um enorme zelo religioso, resolvera combater os inimigos, os muçulmanos,  e partira para o Norte de África. Derrotado o exército português, morto o monarca, o país viveu durante muitos anos aguardando o regresso do rei D. Sebastião, daí o cognome "o Desejado".

 

Com a morte do rei, subiu ao trono o tio, D. Henrique. Nomeado cardeal em 1545, dez anos depois obteve 15 votos para ser papa. No governo eclesiástico, realizou muitas reformas administrativas e culturais, mas a sua indecisão em relação à sucessão ao trono português, procurando encontrar uma solução pacífica para o problema, levou a que, ao morrer, não houvesse entendimento e nenhuma solução tivesse sido encontrada. Não tendo filhos que herdassem o trono, cabe a D. António, prior do Crato, encabeçar a resistência à invasão de Portugal por tropas espanholas. Contudo, a falta de apoio, de recursos financeiros, a apatia de muitos portugueses e o interesse de outros na união ibérica, levaram a que, a 25 de Agosto de 1580, Filipe II de Espanha fosse aclamado rei pelas Cortes de Tomar, e declarado rei de Portugal, sob o nome de Filipe I de Portugal. A este primeiro Filipe sucederam-lhe mais outros dois reis comuns aos dois países: Filipe II de Portugal, o Pio (Filipe III de Espanha) e Filipe III de Portugal, o Grande (Filipe IV de Espanha).

 

Terminamos com uma curiosidade. A morte prematura do rei D. Sebastião sem deixar descendência, o seu desaparecimento sem ninguém tê-lo visto vivo, ou morto, levou a que se instalasse em Portugal a crença popular de que "D. Sebastião há-de voltar numa manhã de nevoeiro", como um salvador do Reino. Em finais dos anos 60, o cantor e compositor José Cid, juntamente com o Quarteto 1111, lançou o tema El-Rei D. Sebastião, em que fala desta lenda. Podes escutar essa música no YouTube.